publicado por nobilissimavisione | Sábado, 09 Maio , 2009, 20:33

A história do post anterior sobre a Princesa Caradja  lembrou-me outra das minhas personagens romenas de eleição - a história da Roménia está cheia de figuras curiosas -, Elena Ceausescu. O que me fascina na história de Elena Ceausescu (1919-1989) é a capacidade de enganar, de iludir o mundo inteiro, e a magnitude do embuste. Conheci já algumas mulheres com este «dom», e fico sempre fascinado com a «lata», de certa forma a coragem necessária para tentar enganar os outros (caso a coisa corra mal). Mas não quero fazer a apologia do engano, sobretudo neste caso. Elena Ceausescu, que deixou a escola aos 14 anos com fracos resultados, quando o seu marido Nicolae se guindou ao poder - tornando-se o segundo a usar o título de Conducator, depois do Marechal Antonescu, de também triste memória -,  conseguiu "obter" um doutoramento em Química, e tornar-se, para além de Primeira Dama, na Primeira Cientista do país, ocupando importantes lugares nos centros da ciência romenos e apresentando uma enorme quantidade de artigos e trabalhos científicos que o Ocidente acreditava serem escritos ou produzidos pela própria, tal como acreditava que a Roménia dos Ceausescu era o mais moderado e menos opressivo dos regimes comunistas europeus. Enquanto Nicolae se esfalfava nos corredores do poder para mudar - e de que maneira - o paradigma de vida dos romenos, Elena, nos seus laboratórios, queimava as pestanas a estudar e a investigar. Dois embustes, mas muito bem montados. Não foram desmascarados durante longo tempo. As obscenas imagens do fuzilamento de Elena Ceausescu e do seu marido no dia de Natal de 1989 - com o sangue sobre a neve -, em circunstâncias ainda hoje por explicar completamente, correram o mundo inteiro.

 


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