publicado por nobilissimavisione | Domingo, 27 Dezembro , 2009, 21:26

"Foi premeditado. Tinha pensado antes, se ela voltar a irritar-me, bato-lhe. Podia perfeita e impunemente bater-lhe. Era mulata. E a rapariga comeu e continuou em pé, sem se mexer, com a mão na cara, sem nada dizer, fitando-me com um estranho olhar magoado, sem um gesto de retaliação. Disse-lhe, já levaste, e depois afastei-me para o fundo do pátio, absolutamente consciente da infâmia que tinha cometido, esse exercício de poder que não compreendia, e com que não concordava. Não por ser uma bofetada, mas porque tinha sido à Marília." (p. 55)

 

"Nas ex-colónias era fácil morrer. Estava-se vivo, morria-se. Havia acidentes de caça, acidentes no mato, acidentes de trabalho, acidentes rodoviários, acidentes." (p. 67)

 

"Morrer sempre foi fácil naquela terra, antes ou depois". (p. 69)

 

Uma escrita concisa, seca e directa, sem nenhum artifício, que parece uma conversa inesperada que temos com alguém que não conhecemos muito bem, mas intensa desde o início. Uma escrita que diz tudo sem nada explicar (nem o pretendia ou podia). A autora não faz parte da narrativa, é a própria narrativa. É uma história moral e é também uma história de amor, um (des)ajuste de contas com o pai ("o meu pai é o princípio de tudo", diz a Autora na Adenda).


ABM a 20 de Janeiro de 2010 às 22:48
sugiro que veja a recensão deste livro em www.maschamba.com que saiu ontem.
cumprimentos

nobilissimavisione a 22 de Janeiro de 2010 às 23:06
Obrigado. Vi mas não gostei.

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