publicado por nobilissimavisione | Segunda-feira, 29 Março , 2010, 22:55

heimat 2

 

Elizabeth Cerphal nasceu em Munique, no final da I Guerra Mundial, numa família detentora de uma importante editora, a Cerphal Verlag. Aos cinquenta anos, é uma elegante mulher (personificada por Hannelore Hoger no Heimat 2), ainda solteira - a «filha eterna» -, que vive numa soberba villa no bairro de Schwabing, a «Renardiere» (na minha edição francesa), onde mantém uma espécie de salão actualizado para os anos 60, frequentado pelos seus jovens protegidos - músicos, poetas, cineastas, actores, cantores. A editora foi vendida, mantendo a família apenas uma participação nominal na mesma. A história da aquisição da editora e da própria «Renardiere» não é, contudo, linear, pois o anterior sócio e proprietário da casa, o tio Julius, pai da melhor amiga de Elizabeth, Edith, era judeu. Ambos morreram em Dachau. A história adensa-se ainda mais, porque Elizabeth coabita (platonicamente?) com Gerold Gattinger, um nazi reciclado e anterior amante de Edith. O pai, que vive os seus últimos dias numa clínica da cidade, pretende condicionar a herança à prossecução dos estudos. Mas a «eterna filha» acaba por vender a casa, que é demolida e substituída por 150 apartamentos, e vai dar a volta ao mundo. Será vigarizada por uns americanos no Peru, mas ainda a veremos a ultimar o seu doutoramento, supervisionando um grupo de estudantes que lhe está a escrever a tese. Com a mesma classe e a mesma ingenuidade, o mesmo diletantismo e a mesma inocência, a mesma naturalidade e o mesmo distanciamento da usurpação com que fez tudo o resto. Como uma certa Alemanha.


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