publicado por nobilissimavisione | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 14:23

Aproxima-se a grande sondagem do dia 7, e começo a pensar no aspecto logístico prévio essencial: o paradeiro do meu cartão de eleitor. Já houve ocasiões em que o não atempado tratamento do assunto me eximiu a opções de voto que, vistas restropectivamente, iriam assombrar o resto dos meus dias. Este ano não tenho tomado muita atenção à campanha eleitoral, mas há um aspecto que me tem supreendido pela negativa, e que tem a ver com os cartazes. Num dos casos parece um cruzamento entre a família da Barbie e uma série de ficção científica datada, com as personagens - os astronautas - com um ar de manequins, completamente postiço. No outro, o cenário lembra um «saloon» do Velho Oeste, com cores escuras, voluptuosas, e «sugestão» de madeira (não reparei se está mesmo lá ou não), onde não destoa a farpela do candidato e o seu ar decidido. Em ambos os casos o efeito é irreal, ou mesmo surreal. E os dizeres, a "letra" dos cartazes, oscila entre o abstruso ou incompreensível e o irritante ou subreptício, ou manhoso, até. Terá sido falta de meios ou de paciência? Ou é uma desvalorização do papel do outdoor nos tempos que correm (mas então para quê prejudicar a paisagem)? Ou afinal são demonstrações de um apurado sentido de humor?

 


publicado por nobilissimavisione | Quinta-feira, 04 Junho , 2009, 00:10

A «redundância da coragem» é um livro de Timothy Mo, um autor de Hong-Kong, publicado originalmente em 1991. É um daqueles livros de leitura compulsiva, que uma vez iniciada não se consegue parar. Conta a história dos primeiros e terríveis anos da invasão indonésia e da resistência em Timor-Leste. O autor apenas mudou o nome do país, de Timor-Leste para Danu, e os nomes das personagens reais que aparecem no livro. Li-o há bastantes anos, mas só quando fui dar aulas para Timor-Leste e me comecei a interessar mais pela história do país me dei conta do rigor histórico da narrativa. É um livro poderoso, muito «negro», mas com um estilo irónico dado por um narrador aparentemente alheado do espírito da luta pela independência e pela sobrevivência - nunca deixa de se ver como alguém diferente (é de ascendência chinesa) dos seus companheiros da Resistência . Penso neste livro bastantes vezes. É a única obra de Timothy Mo traduzida em Portugal, julgo. A edição portuguesa é de 1992, da Puma, e está esgotada (infelizmente) há muito tempo.

 


publicado por nobilissimavisione | Segunda-feira, 01 Junho , 2009, 14:40

O voto obrigatório é uma clara violação da liberdade individual, diz o João Miranda no Blasfémias. E o dever de pagar impostos? E o dever de defesa da Pátria, em caso de guerra? E o dever de colaborar na administração da justiça, testemunhando em julgamento, por exemplo? Não serão também violações da liberdade individual? A imposição do voto obrigatório, se existisse entre nós, também serviria um interesse geral - de participação dos cidadãos na decisões que a todos dizem respeito. Pode-se duvidar da eficiência ou até da sensatez de tal medida. Mas não parece impor um sacrifício desproporcionado, nem ser uma violação da liberdade individual.

 


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