publicado por nobilissimavisione | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 22:18

Do PS Açores, ao dizer que "o Tribunal Constitucional" tem sido mais um órgão de orientação política que jurídica". Afinal, não é só na Madeira.

 

 


publicado por nobilissimavisione | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 13:18

Vítor Bento é um economista prestigiado e com boa imagem pública, recentemente robustecida pela publicação de um livro que faz um diagnóstico sombrio da situação económica do país e propõe soluções polémicas para a saída do actual marasmo, como a redução dos salários. Não li o livro, apenas pequenos excertos e alguns comentários na blogosfera. Uma boa escolha para o Conselho de Estado, portanto. Mas trata-se, de certa forma, de um perfil diferente daquele que tem resultado de anteriores escolhas presidenciais, pois Vítor Bento, ainda que tendo uma carreira sólida, não desempenhou, ao que julgo saber, cargos públicos de relevo, nem lhe conheço actividade política. É mesmo um representante «puro e duro» da sociedade civil, passe o exagero. Esta escolha de Cavaco Silva , neste momento, não pode deixar de ser lida como uma aproximação por parte do Presidente às ideias sobre a economia portuguesa recentemente trazidas a público por Vítor Bento. Se eu fosse um adepto da(s) teoria(s) da conspiração, já estaria a imaginar que o Presidente da República estaria com isto a lançar o seu candidato ao cargo de Primeiro-Ministro, quando a situação de ingovernabilidade que resultará provavelmente das eleições de Setembro possibilitar a formação de um governo de salvação nacional, extra-partidário, apadrinhado pelo Presidente da República, ao modo dos governos de iniciativa presidencial de Ramalho Eanes. Ou então, numa versão menos delirante, a apresentar um candidato à liderança do PSD, ou de um novo partido destinado a renovar o ciclo político.


publicado por nobilissimavisione | Sábado, 18 Julho , 2009, 22:34

É difícil descrever Os detectives selvagens, de Roberto Bolaño. A inventividade do fio condutor da trama (horrível palavra!) é excepcional: a busca da história e do paradeiro de Cesárea Tinajero, a única e misteriosa verdadeira representante de uma obscura corrente poética mexicana, o real visceralismo, cujos poemas - pelo menos os que são citados - não têm palavras. Na primeira parte do livro, o ímpeto da narrativa quase que toma o freio nos dentes (como nalgumas partes dos livros de Durrell); a escrita é dura, de um erotismo violento e sombrio, cujo ritmo é parcialmente retomado na parte final do romance (que repega a história no ponto em que a primeira parte a tinha deixado). A parte intermédia, a várias vozes, que narra incidentalmente os acontecimentos posteriores, é desigual; há partes muito belas, como a de Edith Oster no México e na Califórnia, de uma tristeza profunda e decantada que lembra a Estrela distante, ou a do tipo que adivinhava os números em Barcelona, mas a parte que se passa em Israel é quase intragável. As personagens secundárias são as mais interessantes. A leitura é por vezes difícil, e confusa; parece que o Autor se diverte a provocar-nos e a baralhar-nos. No fim de tudo: Grande livro? Obra falhada? Grande livro. Talvez. Não, sem dúvida que sim.

 

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publicado por nobilissimavisione | Sábado, 18 Julho , 2009, 22:31

Adopção por casais homossexuais? Sim, mas só de crianças homossexuais.


publicado por nobilissimavisione | Sábado, 18 Julho , 2009, 22:19

Praia da Carrusca

Praia da Carrusca

 

No Verão tenho sempre vontade de fazer listas. Não sei porquê. Julgo que nas capas de jornais e revistas esse fenómeno estival tem alguma expressão, ligada às férias (listas de destinos de férias, de livros para férias). Resolvi ceder a essa vontade e fazer uma lista das praias da minha vida (por enquanto...). São doze, para caberem todas.

 

1. Praia do Guincho;

2. Praia de S. Jacinto;

3. Praia do Monte Velho (entre Sines e Melides);

4. Praia do Meco;

5. Praia da Fábrica (em frente a Cacela Velha);

6. Praia do Barril (Tavira);

7. Praia da Ilha de Maio (Bijagós);

8. Praia de Chave (Boavista);

9. Praia da Pitiinga (Arraial da Ajuda);

10. Praia da Carrusca (a norte da Ilha de Moçambique);

11. Praia de Ataúro (a sul do cais onde atraca o ferry);

12. Praia do Ilhéu de Jaco (Timor-Leste).

 

De foram ficam as praias literárias - de momento só me ocorrem duas: Balbec (Proust) e Figueira da Foz (Sena).

 

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publicado por nobilissimavisione | Sábado, 18 Julho , 2009, 21:31

Eloy Sánchez Rosillo nasceu em Múrcia, em 1948. É mais um discípulo de Cernuda (doutorou-se, aliás, com uma tese sobre este poeta). É o mais incisivo no olhar sobre o efeito corrosivo do tempo. O momento presente é uma ruína de vários passados, uns mais distantes, outros quase prospectivos, e em diferentes estados de conservação ou de gestação. Há uma urgência na sua poesia que lhe imprime um ritmo menos contemplativo do que o de Brines, sem prejudicar a serenidade da aceitação do fluir da vida. O poema que aqui transcrevo vêm do livro La Vida (1989-1995), e está publicado em português na antologia "As coisas como foram". O seu objecto é mais amplo do que a ilustração da memória poética da infância - outros poemas deste Autor seriam porventura mais adequados -, mas é o meu preferido. A tradução é, mais uma vez, de José Bento.

 

DAQUI

 

Esta estranha ladeira pela qual vou descendo

corre entre a névoa. Já não me lembro ao certo

se houve sol matinal quando eu subia,

ou se era aquele cimo onde estive depois

o próprio centro da luz. Agora

dou passos com cuidado; tudo aqui é confuso.

No tempo me perdi. Avanço e retrocedo

e não consigo agarrar as formas puras

do existir em que me apoiava

quando o mundo era firme e as coisas tinham

princípio e fim, definição, contornos.

Não há ontem, nem presente, nem amanhã.

Em que lugar do tempo se vai estendendo

a bruma que me envolve? O antes é depois,

o que passou não foi, o que ainda

há-de vir talvez esteja a acontecer.

Quem sou? Quem dentro de mim me desconhece?

Fui um menino um dia, ou inventei uma história

que me ajudasse a viver nos maus momentos?

Entrevejo ao longe um verão

que não teve começo e não termina

(é sempre verão quando relembro

na escuridão a luz primeira):

uma casa no campo; estou a brincar junto

à acácia que sombreia a porta;

minha mãe costura ou lê perto de mim e olha-me

com os olhos mais doces e mais límpidos

que desde sempre vi. E de súbito não existem

aquela casa branca, a vinha, as amendoeiras,

as galeras carregadas com sacos de trigo

sob o fulgor de agosto e minha mãe já não está

a olhar-me. Um rapaz escreve num caderno

seus primeiros poemas; é de noite; a lua

entra pela janela do seu quarto;

olhai-o a trabalhar: que emoção no seu peito,

como em suas mãos arde a vida que tanto gostaria

de exprimir no papel. Mas vai chegando

à cidade a aurora pouco a pouco

e o quarto que antes vimos está ermo;

parece que jamais terá estado

neste quarto aquele adolescente

que na noite escrevia. Uma jovem passa

perto de mim e pára; estão cheios de ilusão

seus olhos muito azuis, o seu sorriso. Começamos

a andar por um caminho. A que sítio nos leva?

De súbito, decorrem muitos anos.

Onde surge o amor? Quando se extingue?

Um menino está sentado no tapete; brinca

com seus brinquedos; grita e bate palmas

ao contemplar o inúmero exército

de ferozes bonecos que dispôs

diante de si em rigorosa formação de batalha.

E eu assisto ao milagre da sua infãncia; rimo-nos

com o riso mais aberto e, abraçados,

filho e pai rolamos pelo chão

enquanto corre lenta, lentamente,

uma manhã de primavera.

Mas num só instante a noite fechou-se;

crescem as sombras, e é inverno e chove,

e não há ninguém em minha casa. O que houve?

Que é daquele menino que com o riso

me unia a uma verdade tão verdadeira?

E que é feito de mim, das tão seguras

convicções que me sustinham?

Habita-me um estranho. Nos espelhos eu vejo

o olhar perplexo, interrogante,

de um rosto alheio, de alguém que em nada se parece

ao que fui alguma vez. Não sei se estou a sonhar,

não sei se estou acordado, se imagino ou recordo.

Talvez sonhemos sempre. Eu vivo na incerteza.

No tempo me perdi. Caminho pela névoa,

desço às apalpadelas a ladeira insegura.

Tudo se passa agora depressa, bem depressa;

imagens, acontecimentos, enteléquias,

apagam-se, iluminam-se, vão e vêm.

O que é antes? O que é depois? Quem entrelaça,

ordena e desordena as minhas horas?

A realidade e o sonho e a memória,

onde começam e acabam?


publicado por nobilissimavisione | Quinta-feira, 16 Julho , 2009, 22:50

Mais uma. É impressionante o número de mulheres corajosas abatidas na Rússia, no meio da indiferença geral, nos últimos anos. Parece que Angela Merkel se mostrou indignada. Se Dostoiévski voltasse, não estranharia seguramente este ambiente brutal.


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