publicado por nobilissimavisione | Quarta-feira, 23 Setembro , 2009, 14:56

Parece que a Senhora Merkel vai conseguir finalmente concretizar o seu desejo, de governar em coligação com os liberais. À «grande coligação» com o SPD pode certamente ser imputado algum atraso e algumas hesitações e desencontros quanto às reformas de que a Alemanha claramente precisa (mas em menor medida do que aquilo que se diz - o atraso -, e embora os alemães não se mostrem muito convencidos da necessidade dessas reformas). Mas a experiência da «grande coligação» não foi negativa, permitiu uma legislatura de estabilidade em tempos difíceis, e um controlo mútuo de cada um dos partidos relativamente a iniciativas menos consensuais do outro. Esses aspectos poderiam ser meditados por aqueles que reagem epidermicamente a qualquer sugestão de Bloco Central para a solução de governo que vai ter de ser encontrada a partir de Domingo. É certo que não é uma solução «natural», pois não permite a afirmação clara da oposição, que fica a cargo dos partidos mais radicais, mas talvez seja preferível à entrada no Governo de quem não quer e certamente também não sabe governar. Implicaria certamente o sacrifício do líder do segundo partido mais votado (como sucedeu com Schröder na Alemanha). Para muitos, o Governo do Bloco Central de 1983-85 não deixou boas recordações, mas teve alguns méritos importantes: colocou as finanças públicas em ordem e preparou o País para o grande projecto que se avizinhava, a adesão à CEE. Foi um Governo necessário. É claro que isso teve um preço. E quem o pagou foi sobretudo Mota Pinto.

 


publicado por nobilissimavisione | Quarta-feira, 23 Setembro , 2009, 14:42

É espantosa a fragilidade estratégica revelada pelo Presidente da República. Já no caso do Estatuto dos Açores o Presidente fora derrotado em toda linha pelo seu excesso de confiança e por uma leitura absolutamente desajustada da relação de forças vigente. Este caso das supostas escutas é muito mais grave, mas mesmo na leitura mais benigna dos factos até gaora revelados, o desnorte da actuação presidencial, expresso nas suas hesitações, contradições e omissões, é evidente. A não ser que o Presidente guarde, certamente por masoquismo, uma revelação bombástica para depois das eleições, este caso vai deixar sequelas graves na limitação da sua margem de decisão futura, para além de ter interferido profundamente na campanha eleitoral, da qual o Presidente se tornou involuntário protagonista.


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