publicado por nobilissimavisione | Terça-feira, 29 Dezembro , 2009, 21:03

 

Esta gente deslumbra-me. São os Monty Python (involuntários) da blogosfera portuguesa.

 

Leiam este excerto de um post da autoria de Bruno Peixe: "Importa considerar a situação a partir da qual se fala, e os dias de hoje, as condições de luta que se nos apresentam, não oferecem outra hipótese que não a da convivência com posições político-ideológicas diversas. O que não significa que não seja desejável uma ordem política onde não haja quem pense como o Pacheco Pereira ou o Ferreira Fernandes. Não necessariamente à conta da eliminação física dos adversários, mas sim da luta contra as desigualdades e hierarquias que são condições de possibilidade do espaço ideológico onde essas pessoas (e outras) se inscrevem. Não há projecto político digno desse nome que não contenha em si uma ideia de homem novo". (sublinhado meu)


publicado por nobilissimavisione | Domingo, 27 Dezembro , 2009, 21:26

"Foi premeditado. Tinha pensado antes, se ela voltar a irritar-me, bato-lhe. Podia perfeita e impunemente bater-lhe. Era mulata. E a rapariga comeu e continuou em pé, sem se mexer, com a mão na cara, sem nada dizer, fitando-me com um estranho olhar magoado, sem um gesto de retaliação. Disse-lhe, já levaste, e depois afastei-me para o fundo do pátio, absolutamente consciente da infâmia que tinha cometido, esse exercício de poder que não compreendia, e com que não concordava. Não por ser uma bofetada, mas porque tinha sido à Marília." (p. 55)

 

"Nas ex-colónias era fácil morrer. Estava-se vivo, morria-se. Havia acidentes de caça, acidentes no mato, acidentes de trabalho, acidentes rodoviários, acidentes." (p. 67)

 

"Morrer sempre foi fácil naquela terra, antes ou depois". (p. 69)

 

Uma escrita concisa, seca e directa, sem nenhum artifício, que parece uma conversa inesperada que temos com alguém que não conhecemos muito bem, mas intensa desde o início. Uma escrita que diz tudo sem nada explicar (nem o pretendia ou podia). A autora não faz parte da narrativa, é a própria narrativa. É uma história moral e é também uma história de amor, um (des)ajuste de contas com o pai ("o meu pai é o princípio de tudo", diz a Autora na Adenda).


publicado por nobilissimavisione | Sábado, 26 Dezembro , 2009, 17:28

 

Quando fui para Timor-Leste pela 1.ª vez levava a firme intenção de avistar um crocodilo, que é o símbolo mitológico da ilha. Já tinha ouvido várias histórias sobre crocodilos que tinham aparecido esporadicamente nas praias de Díli ou em Manatuto, mas sabia que era na costa sul que o avistamento seria mais provável. Por isso, quando se organizou uma ida ao Suai, o propósito era duplo: comprar tais e ver um crocodilo (lafaek em tétum). A expedição foi um sucesso no que toca aos tais, mas os crocodilos...nada! Nem no Suai (onde se diz ser relativamente comum vê-los), nem em Betano.

 

Foi só na minha segunda estadia, entre Setembro e Dezembro de 2006, que vi o famoso bicho, em todo o seu esplendor. Tendo ido à floresta de Lore, na ponta leste, parámos numa magnífica praia na direcção de Iliomar, para tomar banho, num sítio que nos disseram não ser frequentado por crocodilos. Ainda fui com a máscara um pouco mais ao largo, mas naquela zona não há recifes de coral e a água é mais escura. Quando voltei para a margem, uma das expedicionárias, que não tinha entrado dentro de água, diz ao nosso guia: "Senhor Rui, vem aí uma coisa que parece um tronco com olhos....". E era mesmo um crocodilo! Debandada geral, tudo para fora da água, e ficámos um pouco mais acima da praia a fazer um piquenique. O bicho ainda ali ficou uma boa meia-hora, mergulhando e vindo ao de cima, aproximando-se pouco a pouco da praia. Não parecia ser dos maiores (2,5/3 metros? - os crocodilos de água salgada podem ultrapassar os 6 metros). A foto foi tirada pelo Joel Santos, que estava conosco e «imortalizou» o momento. Uma emoção, ter ali um animal que parecia vir de tempos imemoriais, com bastante vontade de nos trincar! Foi uma viagem memorável, também por este motivo!

 

 


publicado por nobilissimavisione | Terça-feira, 15 Dezembro , 2009, 12:50

Não são só os médicos. Agora também os estudantes de medicina querem, previdentemente, manter a dimensão da coutada. Espero que não consigam, e que haja «médicos a mais», para permitir que se tomem medidas essencias para o futuro da Saúde, como a proibição de acumulação (ou a acumulação em termos muito mais restritos do que os actuais) de funções nos hospitais públicos com a prática privada.

 

Haver médicos a mais (ou enfermeiros a mais, ou advogados a mais, ou qualquer outro contingente profissiona a mais), não é um problema que caiba ao Estado resolver, é um problema do mercado de trabalho, que naturalmente gera desempregados, tenham eles o curso de Medicina ou a 4.ª classe. Os melhores (e, inevitavelmente, alguns dos menos bons mas afortunados por outras razões) exercerão a sua profissão, os restantes vão fazer outra coisa qualquer, o que conseguirem. O Estado não deve contribuir para a manutenção de feudos corporativos à custa das vocações dos jovens.


publicado por nobilissimavisione | Quinta-feira, 10 Dezembro , 2009, 12:47

Durante a expansão, muitos apontaram a Irlanda como um modelo de políticas económicas e sociais  que Portugal deveria seguir. Agora na recessão, julgo que a mesma ideia é válida. A profunda redução da despesa pública que a Irlanda vai levar a cabo devia ser seguida por Portugal, incluindo a redução dos vencimentos dos funcionários públicos em dez por cento. Eu apoiaria sem reservas a redução do meu vencimento em dez por cento.


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