publicado por nobilissimavisione | Domingo, 20 Março , 2011, 16:16

EPÍSTOLA PARA OS MEUS MEDOS

 

Sois: os sons roucos, a espera vã, uma perdida imagem.

O coração suspende o seu hálito e os lábios tremem,

sinto-vos, vindes ao rés da terra, como ventos baixos,

poisais no peitoril. Sois muito antigos e jovens,

da infância em que por vós chorava encostada a um rosto.

Que saudade eu tenho, ó escuridão no poço,

ó rastejar de víboras nos caniços, ó vespa

que, como eu, degustaste o figo úbere.

Depois, medo maior foi a presença e a ausência,

a alegria e as dores de outros que não eu.

E um dia, no alto da catedral de Gaudí,

chorei de horror da Queda, como os caídos anjos.

 

Fiama Hasse Pais Brandão, in Epístolas e Memorandos (1996)


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