publicado por nobilissimavisione | Sábado, 23 Maio , 2009, 22:08

A questão palestiniana é um dos maiores quebra-cabeças da actualidade. Para uns é só um conflito regional, para outros é uma luta da "civilização" ocidental contra o Islão, mas ninguém nega que se trata de um grande problema, o grande problema, mesmo. Parece que só mesmo um milagre poderia resolver este impasse, mas se é certo que os milagres - logo por definição - não são impossíveis na ordem internacional - veja-se o caso de Timor-Leste -, nesta situação a sua dificuldade começa logo na definição da solução em que o dito milagre poderia consistir. A incapacidade israelita em impedir o resvalar da situação para um conflito para-colonial com conotações que lembram o «apartheid», a inépcia dos palestinianos expressa na sua desunião fratricida e no seu lamentável auto-governo, os interesses próprios na manutenção do conflito dos outros poderes regionais - Irão e Síria, pelo menos - e a captura das sucessivas Administrações americanas pelos seus lobbies internos, não permitem vislumbrar uma saída plausível para o problema. As soluções possíveis são muitas, mas nenhuma delas boa:

 

1. A solução dos dois Estados, que é a preferida pelas boas consciências do mundo ocidental e pelo discurso oficial da comunidade internacional, tem vindo a ser paulatinamente impossibilitada por Israel, através da expansão dos colonatos na margem ocidental;

2. A solução ética e aparentemente racionalmente fundada de um só Estado, em que israelistas e palestinianos viveriam lado a lado, é impossibilitada pela hostilidade entre ambos, pela recusa de muitos palestinianos da aceitação da presença dos israelitas e pelos receios demográficos dos israelitas perante a taxa de natalidade palestiniana, para não falar já do problema do regresso dos palestinianos expulsos em 1948;

3. A solução de um "Grande Israel", ficando os israelitas com Cisjordânia e Gaza (e já agora, com os Montes Golã), expulsando os palestinianos que aí vivem - eventualmente para a Jordânia, que passaria a ser o Estado palestiniano  -, expandindo o seu Estado étnica e religiosamente puro, é eticamente indefensável e nunca seria aceite pela comunidade internacional, embora pareça ser o objectivo último da política israelita desde o fracasso de Oslo;

4. Também eticamente insustentável mas, julgo, mais facilmente aceite pela comunidade internacional, seria a expulsão dos israelitas - para qualquer lado, mas em princípio para os EUA -, de novo transformados apenas em judeus, podendo aduzir-se cinicamente em apoio desta alternativa que já estão acostumados. Os palestinianos poderiam assim mostrar ao mundo as suas capacidades (até agora bastante escondidas) para criar e administrar um Estado coeso e estável.

 

O correr do tempo, ao contrário do que os israelitas parecem pensar, não joga em seu favor. Sem uma outra solução satisfatória do problema em breve (que porém não vejo qual seja), parece-me que o desenlace final mais provável será o da hipótese 4.

 


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