publicado por nobilissimavisione | Sábado, 18 Julho , 2009, 22:34

É difícil descrever Os detectives selvagens, de Roberto Bolaño. A inventividade do fio condutor da trama (horrível palavra!) é excepcional: a busca da história e do paradeiro de Cesárea Tinajero, a única e misteriosa verdadeira representante de uma obscura corrente poética mexicana, o real visceralismo, cujos poemas - pelo menos os que são citados - não têm palavras. Na primeira parte do livro, o ímpeto da narrativa quase que toma o freio nos dentes (como nalgumas partes dos livros de Durrell); a escrita é dura, de um erotismo violento e sombrio, cujo ritmo é parcialmente retomado na parte final do romance (que repega a história no ponto em que a primeira parte a tinha deixado). A parte intermédia, a várias vozes, que narra incidentalmente os acontecimentos posteriores, é desigual; há partes muito belas, como a de Edith Oster no México e na Califórnia, de uma tristeza profunda e decantada que lembra a Estrela distante, ou a do tipo que adivinhava os números em Barcelona, mas a parte que se passa em Israel é quase intragável. As personagens secundárias são as mais interessantes. A leitura é por vezes difícil, e confusa; parece que o Autor se diverte a provocar-nos e a baralhar-nos. No fim de tudo: Grande livro? Obra falhada? Grande livro. Talvez. Não, sem dúvida que sim.

 

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