publicado por nobilissimavisione | Sábado, 12 Setembro , 2015, 23:43

 

E pronto, também eu, prestes a terminar História do novo nome, me confesso completamente rendido ao virtuosismo da escrita da misteriosa autora napolitana.

É uma saga feminista, com muito amor, desgosto, miséria e também alegria, muito à italiana, primeiro num ambiente neo-realista do pós-guerra, depois no fervilhar ideológico e cultural da 2.ª metade dos anos 60.

As personagens masculinas, com poucas excepções, são cruelmente desvendadas como timoratas, cúpidas, estúpidas, boçais, limitadas, egoístas, lúbricas, frágeis até na sua prepotência, brutalidade ou mesmo inteligência. Mas mesmo uma mente fulgurante, uma beleza assombrosa, uma coragem intrépida, uma determinação sem vacilações, podem ser insuficientes para permitir a uma rapariga escapar ao destino de submissão, subserviência e infelicidade que aquele ambiente machista e profundamente corrompido lhe reserva.

Ferrante expõe magistralmente a relação atribulada desde a infância, em tudo competitiva - nos feitos, nos afectos, nos desejos - entre duas amigas (uma delas genial, qual?), testando os limites da amizade.

Mas as personagens que mais me tocam não são as duas amigas, nem o seu bando de companheiras com as suas pequenas e grandes desgraças, mas sim as mulheres mais velhas, quase sempre mulheres duras e ásperas, pelo muito que foram perdendo - ilusões, beleza, amores, emoções, até o juízo -, em especial a hermética e antagónica mãe da narradora, com a sua "perna ofendida" e o "olho dançarino", mas também Melina, a professora Oliviero, Nunzia, Nella.


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