publicado por nobilissimavisione | Domingo, 28 Junho , 2009, 13:38

A história do café de laco é uma das minhas histórias preferidas de Timor-Leste, pois ilustra a simbiose entre o Homem e o laco (e o fruto do café), resultando a "colaboração" dos três num produto de excelência. O laco é um bichinho muito engraçado, parece de facto um peluche: do tamanho de um gato, focinho comprido, ollhos grande, cauda grande, pelo catanho escuro curto. Diz-se que são facilmente domesticáveis. Ora, o laco alimenta-se de fruta, incluindo os frutos do café. Séculos de especialização permitem-lhe um excelente know-how na escolha dos frutos do café no ponto ideial da maturação. Comido o fruto do café, é expelido interiro, nas fezes do laco, apenas sem a película vermelha exterior. É limpo e depois torrado. Tem um sabor forte, que advém da fermentação que sofre dentro do dito laco. O laco é um animal nocturno, e à noite o cheiro dos seus excrementos nos cafezais distingue-se facilmente. Tudo isto pode parecer matéria organica a mais, mas o sector primário da economia é isso mesmo, e o café é de facto muito bom, atingindo preços perto do milhar de dólares em Nova Iorque (também se diz que é bebido pela Rainha de Inglaterra). Não é fácil encontrar o café de laco, mesmo em Timor-Leste; se não fosse a minha amiga Maria Ângela, não o teria conseguido provar. Aliás, a Maria Ângela tem um post bastante desenvolvido sobre este assunto no seu blogue do Público, para onde remeto com a devida vénia. Como isto parece uma história de encantar, falta a parte triste: diz-se que o laco é muito apreciado na gastronomia imorense, e que faz um óptimo estufado, razão pela qual é caçado com persistência. Não sei se isto é verdade ou não, mas uma vez em Díli, perto do Palácio das Cinzas, vi um laco a ser transportado numa gaiola pendurada num pau ao ombro de um homem. Apreçado o animal, era sessenta dólares (americanos); ainda pensei em comprá-lo para o devolver (ou forçar) à liberdade, mas logo desisti e me conformei com a dureza da vida e do mundo. Este café do laco poderia ser um produto de exportação com interesse, dado o seu alto valor e as potencialidades de markentig (para todos os gostos...) do assunto, mas não sei sequer se as quantidades disponíveis o permitem. Sei que é também produzido em Java e noutras ilhas da Indonésia. Talvez o Augusto Lança tenha alguma informação ou ideia sobre isto que possa partilhar.

 


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